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O meu Amor é o Pão: quando partilhar vai muito além da mesa

A Plataforma Nacional do Pão (PNP) marcou presença no evento Amassar o Pão, que decorreu em Leiria, uma iniciativa dedicada à reflexão sobre o papel do pão enquanto elemento central da cultura alimentar portuguesa e símbolo de partilha, proximidade e identidade coletiva. A participação da PNP enquadrou-se na sua missão de valorização do pão português, promovendo uma abordagem consciente, informada e respeitadora do seu valor cultural, social e económico. Mais do que um alimento, o pão foi apresentado como um património vivo, profundamente ligado às pessoas.

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16 de dezembro de 2025

Existem palavras que atravessam culturas, gerações e territórios. Amor é uma delas. Pão é outra. Quando se juntam, deixam de ser somente conceitos — transformam-se em gestos, encontros e significado coletivo.

O evento: uma conversa aberta sobre o amor, o pão e as pessoas

O evento Amassar o Pão, integrado no ciclo de workshops dedicado ao pão e à cultura alimentar, foi muito mais do que uma oficina prática. Assumiu-se como um momento de encontro e reflexão, onde o pão serviu de ponto de partida para uma conversa aberta sobre o amor, as relações humanas e o papel da mesa enquanto espaço de convívio e partilha.

A sessão contou com uma conversa informal, reunindo diferentes olhares e sensibilidades. José Raposo e Sara Barradas trouxeram para o centro do diálogo a dimensão do amor vivido, do quotidiano e real, partilhando experiências e reflexões nas quais o afeto, o tempo e a escuta ganham significado.

O testemunho de Joaquim Nicolau, profundamente ligado ao universo do pão através da sua história familiar e da sua ligação à cultura e ao teatro, acrescentou uma perspetiva enraizada na memória, no território e na identidade.

Rita Morais, psicóloga, contribuiu com uma leitura mais reflexiva sobre as várias formas de amor e a importância do convívio à mesa na construção de relações saudáveis e duradouras na cultura portuguesa.

Ao longo da conversa, o pão surgiu como metáfora e como realidade concreta. Falou-se do amor que se constrói no dia a dia, do cuidado, da repetição dos gestos, da importância do tempo e da presença. Tal como o pão, também as relações exigem atenção, paciência e compromisso.

O evento culminou com a apresentação da peça de teatro “Amassar o Pão”, pela companhia O Gato, com participação especial de Joaquim Nicolau. A peça trouxe para o palco uma abordagem sensível e simbólica, onde o ato de amassar se transforma numa linguagem emocional, capaz de representar o amor, a partilha, a memória e a ligação entre pessoas.

O teatro reforçou, de forma artística, a ideia de que o pão não é somente alimento, mas também expressão cultural e afetiva.

A Plataforma Nacional do Pão esteve presente neste evento precisamente por reconhecer a importância deste tipo de iniciativas, onde o pão é tratado como património cultural vivo, capaz de gerar diálogo entre áreas como a gastronomia, a psicologia, a cultura e as artes performativas.

Um espaço onde o pão deixa de ser somente objeto e passa a ser narrativa, símbolo e ponto de encontro.

Amor também é escolher com consciência

Um dos eixos implícitos do evento foi a ideia de que amar também é escolher. Escolher não por impulso, mas com conhecimento. Não apenas pelo hábito, mas com responsabilidade.

No caso do pão, esta escolha assume um significado particular. O pão português não é um produto indiferenciado. É o resultado de práticas que atravessam gerações, de saberes transmitidos de forma contínua e de uma relação profunda entre matérias-primas, tempo e técnica. Cada pão carrega uma história que começa muito antes de chegar à mesa.

Escolher pão português é reconhecer esse percurso. É compreender que o pão nasce do trabalho humano, do conhecimento acumulado e da ligação às regiões onde é produzido. Regiões com identidade própria, com métodos distintos, com características que refletem o território, o clima e a cultura local.

É também uma escolha com impacto social. O pão continua a ser produzido por profissionais que mantêm viva uma atividade essencial à coesão das comunidades, garantindo proximidade, abastecimento diário e um vínculo direto com o consumidor. Ao valorizar o pão, valoriza-se também quem o produz e o papel que desempenha no equilíbrio social e económico local.

A Plataforma Nacional do Pão defende precisamente esta relação consciente entre consumidor e produto.

Uma relação onde o pão deixa de ser invisível, tratado como um bem automático e sem identidade, sendo reconhecido pelo seu valor real — cultural, social e simbólico.

Porque amar o pão não é somente consumi-lo.
É saber escolhê-lo.
E compreender tudo o que essa escolha representa.

O caminho continua

A participação da Plataforma Nacional do Pão neste evento reforça um compromisso claro e contínuo: estar presente onde o pão é tratado com respeito, consciência e significado. Não apenas em grandes momentos públicos, mas também em iniciativas de proximidade, reflexão e diálogo, onde o pão é valorizado pelo que representa.

O trabalho da PNP assenta numa visão de longo prazo. A valorização do pão português não se constrói num único dia, nem se esgota num evento. É um caminho feito de consistência, de presença regular no território e de uma relação próxima com todos os intervenientes da cadeia — da produção ao consumo.

O amor pelo pão constrói-se todos os dias. No trabalho silencioso dos profissionais do setor, que mantêm viva uma atividade essencial. Nas escolhas conscientes dos consumidores, que reconhecem o valor do pão enquanto alimento, cultura e identidade. E na valorização do que é nosso, sem ruído, mas com responsabilidade e respeito.

A Plataforma Nacional do Pão continuará a promover esta ligação entre pessoas, território e alimento, reforçando a importância do pão português enquanto elemento estruturante da nossa identidade coletiva.

Um alimento simples na forma, mas profundo no significado.

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