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Da semente ao futuro do Pão Português: Plataforma Nacional do Pão visita o Banco Português de Germoplasma Vegetal

Existem patrimónios que se preservam em museus. Outros encontram-se guardados em câmaras de conservação, dentro de pequenas sementes que encerram séculos de história, adaptação e biodiversidade. Foi precisamente esse património que a Plataforma Nacional do Pão teve oportunidade de conhecer durante a visita ao Banco Português de Germoplasma Vegetal (BPGV), em Braga, a convite da ANPOC – Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais A visita permitiu compreender melhor o trabalho desenvolvido por uma das mais importantes infraestruturas científicas dedicadas à conservação dos recursos genéticos vegetais, um elo essencial para garantir o futuro da agricultura portuguesa e, naturalmente, do Pão Português.

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13 de julho de 2026

Um património criado para proteger a diversidade agrícola

O Banco Português de Germoplasma Vegetal foi criado em 1977, em Braga, integrando atualmente o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV). A sua criação surgiu da necessidade de preservar a diversidade genética das plantas cultivadas, numa época em que muitas variedades agrícolas tradicionais começavam a desaparecer devido à intensificação da agricultura e à uniformização das culturas.

Desde a sua fundação, o Banco desenvolve a sua atividade em articulação com organismos internacionais dedicados à conservação dos recursos fitogenéticos, assumindo um papel estratégico para Portugal e para a comunidade científica internacional.

Ao longo de quase cinco décadas, o BPGV consolidou-se como uma referência internacional na conservação de recursos genéticos vegetais, sendo atualmente considerado uma das maiores infraestruturas deste género a nível mundial. Nas suas instalações encontram-se preservadas mais de 47 mil amostras pertencentes a cerca de 150 espécies e 90 géneros de plantas, incluindo cereais, leguminosas, hortícolas, plantas aromáticas e medicinais, fibras, forragens e muitas outras culturas de elevado interesse agrícola.

Muito mais do que guardar sementes

A missão do Banco vai muito além da simples conservação de sementes.

Cada variedade é cuidadosamente recolhida, identificada, caracterizada, documentada e conservada em condições rigorosamente controladas, garantindo que mantém a sua capacidade de germinação durante muitos anos.

Este trabalho permite preservar variedades locais que, em muitos casos, deixaram de ser cultivadas comercialmente, mas que podem voltar a assumir um papel determinante perante desafios como as alterações climáticas, novas pragas, doenças ou necessidades futuras de melhoramento vegetal.

Ao mesmo tempo, o Banco apoia projetos de investigação, programas de melhoramento genético e políticas públicas de conservação da biodiversidade, assegurando que este património permanece disponível para as gerações futuras.

Os cereais começam muito antes da farinha

Para a Plataforma Nacional do Pão, esta visita reforçou uma mensagem que procuramos transmitir diariamente: a qualidade do Pão Português começa muito antes da moagem e da panificação.

Começa na preservação das variedades agrícolas, no trabalho dos agricultores, na investigação científica e na capacidade de proteger um património genético que representa séculos de conhecimento acumulado.

Sem diversidade genética não existe inovação agrícola. E sem cereais adaptados aos desafios do futuro dificilmente será possível garantir uma produção sustentável e resiliente.

É precisamente nesta ligação entre conservação, ciência, produção agrícola e valorização do território que reside uma das grandes forças da fileira do Pão Português.

Uma colaboração que fortalece toda a fileira

A visita, realizada organizada pela ANPOC (https://www.anpoc.pt/), permitiu promover a aproximação entre diferentes entidades da cadeia de valor dos cereais e do pão, criando novas oportunidades de colaboração em torno da preservação das variedades nacionais, da valorização dos cereais portugueses e da sensibilização para a importância dos recursos genéticos.

Na Plataforma Nacional do Pão acreditamos que valorizar o Pão Português significa compreender toda a sua origem. Desde a semente cuidadosamente preservada até ao pão que chega diariamente à mesa dos portugueses, existe uma cadeia de conhecimento, inovação e dedicação que importa conhecer, proteger e promover.

Porque preservar as sementes é preservar o futuro do Pão Português.

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