Um património criado para proteger a diversidade agrícola
O Banco Português de Germoplasma Vegetal foi criado em 1977, em Braga, integrando atualmente o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV). A sua criação surgiu da necessidade de preservar a diversidade genética das plantas cultivadas, numa época em que muitas variedades agrícolas tradicionais começavam a desaparecer devido à intensificação da agricultura e à uniformização das culturas.
Desde a sua fundação, o Banco desenvolve a sua atividade em articulação com organismos internacionais dedicados à conservação dos recursos fitogenéticos, assumindo um papel estratégico para Portugal e para a comunidade científica internacional.
Ao longo de quase cinco décadas, o BPGV consolidou-se como uma referência internacional na conservação de recursos genéticos vegetais, sendo atualmente considerado uma das maiores infraestruturas deste género a nível mundial. Nas suas instalações encontram-se preservadas mais de 47 mil amostras pertencentes a cerca de 150 espécies e 90 géneros de plantas, incluindo cereais, leguminosas, hortícolas, plantas aromáticas e medicinais, fibras, forragens e muitas outras culturas de elevado interesse agrícola.

Muito mais do que guardar sementes
A missão do Banco vai muito além da simples conservação de sementes.
Cada variedade é cuidadosamente recolhida, identificada, caracterizada, documentada e conservada em condições rigorosamente controladas, garantindo que mantém a sua capacidade de germinação durante muitos anos.
Este trabalho permite preservar variedades locais que, em muitos casos, deixaram de ser cultivadas comercialmente, mas que podem voltar a assumir um papel determinante perante desafios como as alterações climáticas, novas pragas, doenças ou necessidades futuras de melhoramento vegetal.
Ao mesmo tempo, o Banco apoia projetos de investigação, programas de melhoramento genético e políticas públicas de conservação da biodiversidade, assegurando que este património permanece disponível para as gerações futuras.

Os cereais começam muito antes da farinha
Para a Plataforma Nacional do Pão, esta visita reforçou uma mensagem que procuramos transmitir diariamente: a qualidade do Pão Português começa muito antes da moagem e da panificação.
Começa na preservação das variedades agrícolas, no trabalho dos agricultores, na investigação científica e na capacidade de proteger um património genético que representa séculos de conhecimento acumulado.
Sem diversidade genética não existe inovação agrícola. E sem cereais adaptados aos desafios do futuro dificilmente será possível garantir uma produção sustentável e resiliente.
É precisamente nesta ligação entre conservação, ciência, produção agrícola e valorização do território que reside uma das grandes forças da fileira do Pão Português.





Uma colaboração que fortalece toda a fileira
A visita, realizada organizada pela ANPOC (https://www.anpoc.pt/), permitiu promover a aproximação entre diferentes entidades da cadeia de valor dos cereais e do pão, criando novas oportunidades de colaboração em torno da preservação das variedades nacionais, da valorização dos cereais portugueses e da sensibilização para a importância dos recursos genéticos.
Na Plataforma Nacional do Pão acreditamos que valorizar o Pão Português significa compreender toda a sua origem. Desde a semente cuidadosamente preservada até ao pão que chega diariamente à mesa dos portugueses, existe uma cadeia de conhecimento, inovação e dedicação que importa conhecer, proteger e promover.
Porque preservar as sementes é preservar o futuro do Pão Português.





